sábado, 31 de julho de 2010

Sul

No Sul tudo é diferente. O pessoal que estuda a história européia fala mesmo de uma Civilização do Mediterrâneo, como algo singular e diferente dos povos do norte. É verdade de que dessa região eu só conhecia a Grécia, que pra mim já mezzo oriente mezzo ocidente.
Mas ao romper a fronteira de Lyon tive que reconhecer a força desse novo mundo que se abre. O solo muda. As planícies e planaltos com doces elevações dão espaço a irrupções abruptas de rochas e vales ásperos razoavelmente altos e profundos. A rocha mesmo muda, fica mais branca, mas seca, mais.... mediterrânea. A vegetação muda tb. Fica mais rarefeita e seca. Comecei a entender por o arado utilizado no mediterrâneo teria atravancado a economia européia por quase 1000 anos: o equipamento pra revirar essas terras tem necessariamente que ser diferente ao norte. Mas não era só nessa concretude terra-terra que a diferença se fazia presente. Ela se manifestava tb em coisas mais etéreas como o céu mais azul e com menos e mais altas nuvens, uma luminosidade diferente. Por fim até o jeito das pessoas dessas terras pareciam diferentes das do norte. Por tudo isso posso dizer que as fotos abaixo mostram um outro pais que existe dentro da França e que me foi aberto pelo convite de meu irmão a experimentar as coisas e as pessoas locais. Muitissimo obrigado!!!
Em Aix-en-Provence as ruazinhas do centro trazem os nomes em francês e em provençal (uma mistura italiana) mostrando que estávamos chegando em um novo pais.

Ai tb descobri uma jóia da história arquitetônica da igreja. A catedral de Aix possui 3 naves: 1 romanica (século XII), uma gótica (século XIII-XIV) e uma barroca (fim do século XVII). Além disso possui um dos pouquíssimos batistérios galo romanos remanescentes (século V), dá época que o batismo era feito em uma pequena piscina localizado fora da igreja.
Essa igreja, que ainda tem em suas paredes e solo marcas do fórum e do cardum fundador da vila romana, me mostrou como esse mediterrâneo é ainda fortemente romanizado, diferentemente do norte da Europa. Por fim, a igreja possui um pequeno claustro do século XII onde os cônegos iam para se refugiar das atribulações do mundo e onde hj podemos encontrar um interfone usado para chamar os religiosos em seus quartos....

Em Aix fomos recebidos pelo Nicolas e pela Nadia. Ele é francês amigo do Pablo e profundo amante do Brasil e do futebol. Ela é brasileira e de uma extrema gentileza. Fomos muito bem acolhidos e paparicados, com direito a café da manhã na varanda sob o sol e com vista para uma paisagem arborizada ( o que não é pouco para quem passou um duro inverno em Paris!!!).


Com direito a visita a Marselha (fundada por gregos nos idos de 600 antes de cristo),


aos Calanques (uma série de portos naturais rodeados de falésias)


e um jantar há beira da praia onde pude pela primeira vez molhar minhas mãos na sagalda água do mediterrâneo.



Uma etapa da viagem terminando ai, iria começar uma outra teoricamente mais trabalhosa. Iríamos encontrar dois professores colegas do Pablo que nos receberiam em suas casas. Primeiro fomos recebidos pelo Kaes em sua casa para um almoço, mas que antes nos mostrou a montanha rochosa Saint Victoire, imortalizada por pintores com Cézanne.



Depois seguimos com Claudinne para Issambres na região de St Tropez. Uma bela casa com piscina e tudo situada no alto do morro. Assim como os outros habitantes locais, a Claudinne nos recebeu de forma bastante calorosa e nos levou para conhecer lugares bem legais. Foi ali que pela primeira vez me banhei no mar Mediterrâneo e onde comi a melhor Tarte Tatin da minha vida (tudo sem fotos...)!!!! Por fim, fomos conhecer a famosa Saint Tropez.Cidade bonitinha com suas praias cinematográficas .



Lugar de uma chiquesa que chega a incomodar com suas, ferraris, lamborgines e bentles (se é assim q se escreve...) e suas dúzias de barcos de 3 e 4 andares que valem cada um uns 2 milhões de euros.


A riqueza extrema, contrasta com os pedintes sentados ao lado do caixa automático, como se esperando pelas migalhas que podem escapar do bolo que não lhes pertence. Tudo isso sem violência. E nós falando que o problema do Brasil é a desigualdade social.... fosse isso, Saint Tropez não existiria....


Por enquanto é isso. A seguir, o outro extremo

Um comentário:

  1. nossa, que demais!!!
    lindas e coloridas fotos... mas gostei muito da finalização do post e da foto no caixa eletrônico...

    muito bom o post!
    =*

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